A Advocacia romântica não funciona mais?



 

Da mesma forma que o mundo vem se transformando ao longo dos anos com a revolução digital, a advocacia também está sendo influenciada pela tecnologia, não havendo mais espaço para a advocacia voltada apenas para os processos, conhecida como “advocacia romântica”, muito praticada na década de 1990.

 

A advocacia, hoje, é voltada para resultados, e o escritório virou uma empresa, focada em gerar crescimento sustentável. Mesmo assim, ainda há escritórios com a cara daquela década, que não conseguiram acompanhar a evolução dos negócios, da cultura, da internet e o comportamento do novo cliente. Assim como há escritórios centenários que carregam a tradição e a cultura dos antigos donos, juristas renomados que fizeram nome com a sua especialidade, o que era para poucos na época.

 

Devemos olhar para os grandes nomes do direito como referências que fizeram história e até hoje são reconhecidos pela atuação em grandes causas e deixaram registradas sua reputação. Os novos advogados seguem suas teses, leem seus livros e aplaudem fervorosamente sua atuação.

 

Na época da advocacia romântica, os grandes nomes do direito se preocupavam em desenvolver novas teses, Atualmente, além da competência técnica, eles precisam também administrar o negócio jurídico como uma empresa. É preciso estar com o radar ligado para as mudanças que acontecem o tempo todo, o que não acontecia no passado, o que obriga os escritórios a saírem da zona de conforto e busquem a diferenciação.

 

O que funcionava no passado não funciona mais em uma nova economia jurídica habitada por grandes nomes do direito e com a competição aumentando a cada dia. Com isso, é necessário que ocorra a profissionalização contínua na busca da diferenciação dentro de períodos curtos. Estamos vivendo uma transformação tecnológica em que os ciclos são mais curtos e velozes, e a estratégia do escritório deve ser revisada e avaliada a cada seis meses.

 

“Não pense que o cliente vai bater em sua porta como no passado, pois eram poucos os escritórios e eles dominavam as áreas existentes na época, fazendo que o cliente não tivesse escolha e precisasse escolher uma banca para cuidar do seu problema”.

 

Atualmente a briga por um cliente é acirrada e, na maioria das vezes, por muito pouco na negociação de honorários. É a lei da sobrevivência, e já não basta mais conhecer tecnicamente a área do direto e gerar confiança, pois a advocacia se tornou uma profissão competitiva, seja o cliente pessoa física, seja pessoa jurídica.

 

O cliente tem inúmeras possibilidades de escolher quem vai cuidar da sua causa, pois dispõe de vasta informação, e nessa escolha, ganha quem conseguir entregar mais valor em todas as etapas do processo: no primeiro atendimento, durante a ação, no final e após a resolução do caso.

 

O que mais acontece é que não há uma preocupação do advogado em prestar um bom atendimento em todas as etapas do ciclo do processo quando ele está ativo no escritório. Já vi muitos advogados reclamarem que o cliente é chato, que liga fora de hora, que não marca horário etc.

 

O problema é que o cliente não recebe todas as informações relativas ao seu processo e acaba ficando com dúvidas, diferentemente do que ocorre quando ele recebe todas as informações, o que o deixa mais seguro e tranquilo sobre o andamento de seu processo. O advogado precisa compreender que o cliente, ao procurá-lo, está cheio de expectativas, tem medo, insegurança, aflição, pois naquele processo pode estar em jogo sua reputação, sua dignidade, seu patrimônio, ou até mesmo uma vida inteira que foi conquistada e pode ir por água abaixo da noite para o dia.

 

Com a mudança da advocacia romântica para a advocacia de resultados é preciso ter iniciativa e não esperar as coisas acontecerem, ou seja, é preciso estar preparado e se antecipar às mudanças, pois se você não agir, outro tomará o seu espaço. Não se iluda achando que profissionalizar o escritório é só para os grandes, como sempre ouvimos por aí, e que o escritório pequeno não precisa de gestão; pelo contrário, é melhor crescer de forma profissional e organizada do que sofrer com os problemas gerados pelo crescimento, que sempre fogem do controle e trazem consequências graves e, muitas vezes, irreparáveis.

 

Uma tendência que está se mostrando muito relevante são os novos formatos de trabalho das bancas, que já não se preocupa tanto com sedes luxuosas e grandiosas, e sim com formatos de escritórios mais modernos, tecnológicos e com uma “pegada” jovem. Nesse contexto, muitos escritórios só exigem o paletó e a gravata em reuniões com os clientes, em audiências ou em situações mais formais. Como disse anteriormente, a maior busca é pelo resultado e o ganho de produtividade.

Essa transformação também impacta na forma de fazer o marketing jurídico, de atender o cliente, de definir as formas de trabalho, na agilidade de entrega de serviços etc. Esse novo modelo veio para revolucionar e ficar.

E você? Está praticando qual advocacia? A romântica ou a de resultados?

 


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